“When I saw you I fell in love, and you smiled because you knew” William Shakespeare 

What keeps us alive is the capacity we have of constantly falling in love – for a lifetime, a few years, a month, a day, a few hours or just for the duration of a smile…

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Nem todos os dias são alegres, nem todos os dias são leves, especialmente nos últimos tempos… Mas, curiosamente, nos últimos tempos tenho visto os mais bonitos céus quando o sol se põe. E, muitas vezes, é quando olho o céu  que me apercebo do quão bonito tudo isto é. E depois penso que tenho apenas que me manter focada e seguir caminho. O que tiver que ser será. E o resto que se lixe

Foto sunset Sep30, 2017

Inner Sunset, San Francisco. September 2017 [Shot on iPhone6s, zoomed in and grainy but who cares :)] 

 

De repente, tremi. Paralisei durante uns segundos. Depois percebi que eram apenas semelhanças – o piscar de olhos, as mãos a bailarem no ar ao som das palavras, a gravidade da voz, a demora persistente nas sílabas, os olhos despertos e negros. Em segundos revejo aquilo que sei de cor, mas que guardei a sete chaves. Já não custa como custou, já não dói como doeu, fará sempre estremecer. Mas é apenas isso – estremeço, recapitulo tudo em segundos, acalmo o coração e volto a guardar tudo de novo. A sete chaves.

[A minha Vi sabe do que falo…]

 

 

Vazio.

Por vezes sinto um vazio que não sei muito bem de onde vem. Raramente consigo explicá-lo. Ou talvez até consiga, mas dá trabalho. Talvez seja semelhante ao que sinto quando olho o mar em dia de nevoeiro. É isso, o mar em dia de nevoeiro. Vejo um pouco de mar, as ondas a rebentarem nas rochas, o verde opaco à minha volta. E depois vejo apenas nevoeiro, que se extende oceano adentro, engolindo tudo o resto e deixando apenas antever um grande vazio. Há dias em que gosto de encontrar uma razão imediata para os meus vazios, e nesses dias gosto de ver o nevoeiro que envolve o mar.

#ha-devalertudoapena

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Lands End, San Francisco. September 2017 [Shot on iPhone6s] 

“Enquanto não te vejo, conto os dias e horas que terei que viver até te encontrar. O momento aproxima-se, e o meu sorriso fica mais alegre.

Depois encontro-te, divergimos e o ciclo vicioso recomeça.

É o ciclo da saudade.”

 

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Stinson beach, California, May 2017 [shot on iPhone 6s]

Fragmentos

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“sabes?
há dias, horas, em que a ausência me atinge em cheio na fronte como uma
pedra profunda” Xilre

Sinto o mesmo. Há horas em que sinto a ausência dos meus, que estão tão longe, e a ausência de ti, que estás tão fragmentado. São ausências diferentes e, como tal, atingem-me de forma diferente. O trajecto da dor que produzem é, no entanto, semelhante – começa na fronte e depressa se propaga até atingir estrondosamente esta massa de células, vasos e artérias a que chamamos Coração.

 

 

It is what it is

“É preciso ter sorte e encontrar a pessoa certa no lugar certo, no momento certo”. Várias vezes me disseram isto e várias vezes reagi com cepticismo. Mas hoje, hoje penso diferente. Cada vez me convenço mais que há pessoas que vamos conhecendo que, por mais que nos afectem, simplesmente não são supostas ficarem por muito tempo. Surgem para nos mostrarem ou ensinarem algo, mas não tem necessariamente que ficar. Eu acredito que quando um sente, o outro também sente, ou faz de conta que sente. E é isto que me desconcerta, que me tira do eixo, que me faz pensar que este mundo dá voltas desnecessárias. Do sentir ao querer fazer algo com o que se sente vai uma enorme distância. E é crucial que se entenda que as coisas são mesmo assim, que nada é “preto ou branco”, que nada tem que vir até nós por uma razão em particular e que não devemos deixar que os actos dos outros tenham um efeito profundo em nós. O x costumava dizer que “As coisas são como são”, e eu sempre adorei esta expressão. Eu gosto de dizê-la em inglês – It is what it is. Tem uma conotação de derrota, como que a querer dizer num encolher de ombros “isto não devia ser assim mas eu não posso fazer nada”. Esta expressão é muito sábia… Mas mais que dizê-la, há que levá-la à letra. Eu ainda nem sempre o consigo – It is what it is. 

Hoje emocionei-me varias vezes durante o dia. Acontece-me sempre quando penso na minha familia que esta tao longe. Na minha Tia C. que esta’ a envelhecer tao rapidamente, na minha irma que esta’ a comecar a estabelecer a sua Familia, no meu Pai que sei que tem sempre dores nas costas, na minha Mae que, apesar de tudo, tem todas as manhas uma palavra de alegria para me dar.

Emociono-me porque penso neles e penso na efemeridade da Vida e na distancia que nos separa. Emociono-me porque sei que, inevitavelmente, todos os dias os perco um bocadinho…

 

O medo

É castrador, limitante. Aprisiona-nos e tolda-nos a razão. Deixa-nos frágeis, sem saber muito bem o que fazer. O medo do escuro é compreensível – a falta de luz leva-nos para recantos estranhos, onde a aparente ausência de matéria faz elevar os maiores monstros. Mas e o medo de falhar? Porquê o medo de falhar? Porque temer falhar se somos apenas humanos, feitos de carne e osso e um coração descompassado que faz o que quer? Houvesse uma máquina que o erradicasse e eu seria a primeira a comprá-la. Isso, ou assumir de uma vez por todas que falhar é perfeitamente normal e que, desde que façamos o nosso melhor, mais não nos pode ser exigido. Muitas vezes queremos a perfeição – queremos fazer tudo bem à primeira, ter tudo à primeira tentativa. Queremos a mesma autoestima e aparente “confiança” que vemos nos outros. Mas e os outros – são mesmo assim ou são tal e qual como nós? Tenho cá para mim que no fundo somos todos iguais, mas uns são melhores a escondê-lo que outros.

L O V E 

“Love is daunting. It’s elusive and undefinable, wonderful but sinister, capable of starting wars and ending them. It is arguably the thing we, as humans, simultaneously crave and fear the most. It is known and unknown and enveloping. Some people spend a lifetime searching for it, some evade it.”

[Muna released their debute album entitled about u. The entire album is great, deeply emotional and a great trip through the many faces of Love. It’s hard to stop listening to it…]

Inquietudes 

No filme Lion, um casal Autraliano adopta duas criancas Indianas, mesmo podendo ter os seus proprios filhos. A explicacao e’ simples: ja’ existe demasiada gente neste planeta – porque nao dar uma oportunidade a quem nao tem como escapar da pobreza e do abandono? E, por momentos, eu parei naquela cena. Havera’ atitude mais altruista e nobre que esta?

Muitas vezes me pergunto – como sera’ viver com muito pouco, ou mesmo viver sem nada? Como sera’ ser crianca, nao ter uma Mae e um Pai que nos guiem e mesmo assim ter que viver? Como sera’ nao ter uma casa e nessa casa um quarto que e’ nosso, por mais humilde e simples que seja? E nesta sequencia de duvidas, tambem me pergunto muito frequentemente qual sera’ o meu papel no Mundo para ter um real impacto no mesmo… Eu, que faco um esforco herculeo para ser racional e me considero muito ‘career-driven’, vivo neste dilema de saber que a carreira e’ importante, mas nao o suficiente para me realizar completamente como ser humano… Como e’ que eu posso gerir isto? Enquanto nao tenho uma resposta certa para todas estas perguntas, vou solidificando a certeza que orientar ou adoptar uma crianca sem familia, dar-lhe um espaco fisico e emocional, todo o meu Amor e uma boa educacao seria, provavelmente, aquilo que me preencheria mais enquanto ser humano. Havera’ algo mais gratificante que chegar ao fim de uma vida e saber que o que fizemos tornou a vida de alguem irremediavelmente melhor? Alguem que, de outro modo, estaria eventualmente ‘a deriva? Obviamente que ha’ outros modos de atingir o mesmo ou semelhante, mas esta em particular sempre foi uma ideia, vai-se tornando uma vontade e um sonho. Pode ser que um dia tudo se conjugue e vontade e sonho se concretizem… Ha’ demasiada gente neste mundo para so’ pensarmos em nos e nos que connosco partilham o sangue…

 

 

 

 

 

 

Diz-me

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(@Mission Disctrict, San Francisco, Novembro 2016)

“Por mais Mundo que corra, por mais Mundo que sinta, por mais Gente que olhe,  es tu que eu vejo em todos os sitios por onde vagueio. E’ como uma corrente fortissima que me arrasta para tras cada vez que eu quero seguir em frente. E’ como um machado cravado que nao ha modo de sair do meu peito. Por mais Mundo que corra, e’ sempre a ti que eu quero, e’ sempre por ti que eu procuro. Es sempre tu que eu vejo fragmentado em mil cores”.